COISAS DE NATASHA IV

 

A Campanha de Vacinação contra o vírus H1N1termina amanhã, 21/05 – ouvi a chamada no jornal matutino da TV – aqueles que têm entre 30 e 39 anos devem se dirigir a um posto de saúde e se vacinar.

 

Pânico. Puro pânico me assaltou naquela hora. Eu fazia parte do grupo de risco! Eu tinha a %@#&*$# de 35 anos!

Olhei pra cama e vi o Pedro me encarando, com aquele olhar que dá vontade de mergulhar e lá ficar... havia um quê de riso na expressão dele, como se soubesse que eu estava fazendo planos para pegar o primeiro vôo para Timbuktu e só voltar depois do dia 21/05.

- Eu já tomei a vacina. É rapidinho. – Ele me disse com a voz sonolenta.

- Sei – respondi.

- Você ainda não tomou. Vai hoje? – Ele me perguntou, já se levantando para tomar banho e se arrumar para ir à faculdade.

- Ã- hã – as palavras não eram o meu forte essa manhã... do banheiro ele gritou – posso ir com você. Chego mais tarde na facul. Não tem pró.

É lindinho ele. Tão carinhoso e preocupado comigo... e não fez chacota quanto ao meu pânico. Será que ele existe mesmo? Natasha você deve estar vivendo num daqueles mundos que você cria em sua mente. Não existe homem como o Pedro na vida real. Não. Isso só pode ser devaneio seu.

Fui ao banheiro fazer a checagem. E lá estava ele no esplendor da sua juventude, exalando confiança por todos os poros. Quando me viu, fechou o chuveiro, abriu a portinha do Blindex e esticou o braço me puxando para ele e me tacando um baita beijo molhado. Bem coladinho ao meu ouvido, ele me falou baixinho, só para eu ouvir, como se compartilhasse um segredo comigo:

- A vacina não dói. Eu já tomei, lembra?

Claro que não dói. Já viu algum deus reclamar de dor?

- Tô indo agora ao posto de saúde. Já avisei que chegaria mais tarde na escola. Por acaso você não está pensando que eu estou com medo de uma agulhinha, está?

 

O silêncio dele disse tudo.

 

Pense numa mulher frouxa para agulha! Daqui de casa até o posto eu fui tentando arranjar uma desculpa para não tomar a porcaria da vacina. Dá para ir andando, a distância não é grande.

O dia estava uma tristeza. Cinza e feio. Então, eu senti tonteira, calafrio, calor... mas sou nordestina, retada! Briguei mentalmente comigo mesmo, dando um carão daqueles. Disse que eu era forte, que já havia aguentado coisa pior e uma agulhinha não iria me assustar. E depois eu era mulher, ora bolas! Se eu aguentava TPM, sangrar todo mês e ainda ter cólicas, a vacina seria balela. Continuei andando. Acredita que a discussão mental prosseguiu até o posto? E quando eu vi a fila quilométrica? A minha eu mental tratou logo de me dizer para ir amanhã cedinho, pois estaria vazio. Mas a Natasha real bateu o pé e seguiu em frente até o final da fila e lá estacionou.

Mas essa Natasha mental é abusada e até eu ser atendida, não é que ela queria me boicotar? Tantas justificativas ela arranjou... até quando me chamaram.

Aquelas atendentes tãooooooooooooooooooo educadas:

 

- Trouxe o cartão de vacinação? Quantos anos tem?

- Braço esquerdo.

 

Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!!!!

 

A eu mental gritou! Graças a Deus que só eu pude ouvi-la, porque a safada fez um escândalo na minha cabeça!

 

O bom é que foi rápido. – O Pê tinha razão. Aliás, ele sempre tem. –  Enquanto a eu mental se esperneava, a atendente tãooooooooooooo educada já me tacava um algodão no braço.

 

Pense no alívio!

 

Que dia lindo! O sol brilhava potente naquele céu azul anil...

A eu mental, eu acho, está de mal comigo. Está calada e não deu um pio até agora.

 

E eu feliz e vacinada. E sem pagar mico na frente de ninguém! Nada mais de Timbuktu.

Peguei o celular...

- Pê? Vamos almoçar juntos hoje, meu “Pensador de Rodin”?

 

Só ouvi uma risada, que era música para os meus ouvidos e a resposta:

- Eu lhe disse que não doía...

 

Não, não doía... Ah, vida maravilhosa... 

Por Daise

 

Eu só Quero um Xodó

Composição: Anastácia / Dominguinhos

 

 

Que falta eu sinto de um bem
Que falta me faz um xodó
Mas como eu não tenho ninguém
Eu levo a vida assim tão só...

Eu só quero um amor
Que acabe o meu sofrer
Um xodó prá mim
Do meu jeito assim
Que alegre o meu viver...

___________________________________

Um xodó é bom demais...

E quem não gosta?

Eu adoro!

 

 

Edward Hoper

 

Último post eu falei sobre alienígenas...

Queria que um me abduzisse e me levasse pra bem longe daqui...

Cansei das hipocrisias dessa minha vidinha...

 

Eram os adolescentes astronautas?

 

www.charquinho.weblog.com.pt

 

Sabe aquele livro, “Eram os Deuses Astronautas”, o qual cogita a hipótese que as divindades das grandes civilizações antigas foram, na verdade, astronautas alienígenas que vieram à Terra trazendo consigo um vasto conhecimento?

 

Não sei sinceramente se os Deuses eram astronautas, mas tenho certeza que os adolescentes são alienígenas. Sim, quem convive com adolescente vai concordar comigo.

 

Parto do pressuposto de que existe o interesse de algum planeta perdido nesse enorme universo em aprender os costumes dos terráqueos. Seria uma espécie de intercâmbio para aprendizagem intergaláctica. Não me pergunte o porquê, pois responderia como o Chicó, do Ariano Suassuna: “só sei que é assim”.

 

É assim mesmo, no limiar dos 12 anos terrestres, os alienígenas começam a se apoderar de nossas crianças, porque, vejam só, é a fase de transição entre a infância e a fase adulta. E todo mundo sabe, a história comprova isso, que a transição é sempre um momento conturbado. Psicologicamente já esperamos que a passagem não se dará como um mar de rosas. E eles, os alienígenas, se aproveitam dessa nossa predisposição e se incorporam em nossos eternos bebezinhos, transformando-os nesses seres, que só podem ser de outro planeta.

 

A linha que separa as emoções desses seres é muito tênue. O amor se transforma rapidamente em ódio, a tristeza em alegria, a esperança em desespero e assim vai. Parece que tudo tem que ser feito neste exato momento, pois na concepção deles o tempo é fugaz. Se pararmos para analisar, o tempo é realmente fugaz para o alienígena que está ali, no corpo do adolescente. Ele tem apenas uma fase aqui na Terra e por isso se tornam intrépidos. Veja que os nossos adolescentes gostam de curtir altas emoções. É só prestar atenção aos parques de diversões. Os brinquedos mais disputados são os mais radicais.

 

Acredito que esses alienígenas, não são tão perfeitos quanto pensam que são. Eles sofrem de algum problema auditivo. Já notaram que os jovens só conseguem ouvir músicas na altura máxima? Bem, nem sempre pode se dizer que o que eles escutam pode ser definido como música, mas não importa, tem que ser no volume máximo.

 

Outra característica que serve para corroborar que os adolescentes são de outro planeta, é a linguagem que eles utilizam para se comunicar. Nós, pobres terráqueos, não entendemos o que eles dizem, mas quando um adolescente se encontra com outro adolescente, a conversa flui maravilhosamente bem. Claro, amigos, eles são do mesmo planeta e falam a mesma língua. Isso é tão OBV (óbvio, para quem não sabe)!

 

Se sua filha passa horas no telefone com aquela amiga que acabou de estar na escola, não se desespere com isso. Elas estão trocando impressões terrestres. Relaxe e pense que o alienígena vai sair do corpo da sua filha quando ela tiver 18 anos. É uma esperança. E esperança é a última que morre.

 

Os médicos podem dizer que são os hormônios. Eu digo: são os adolescentes astronautas (alienígenas).

 

O pior, caro leitor, é que às vezes esses seres intergaláticos insistem em ficar com o comportamento adolescente para sempre, mas isso já é uma outra história...

___________________________________

Andei sumida, mas estou voltando aos pouquinhos.

Este texto que eu escrevi nasceu de uma conversa com uma amiga minha, quando falávamos dos nossos filhos.

Sei que já fui adolescente um dia e me lembro que tudo foi tranqüilo para mim. Isso eu penso, mas nunca tive coragem de perguntar a minha mãe... risos

O alienígena que viveu em mim, graças a Deus foi embora. Então por que remoer o passado, não é mesmo? Mãe, você é uma SANTA!!! Obrigada por ter me agüentado naquela fase.

Agradeço aos navegantes blogueiros e amigos que me mandaram vários e-mails me dando apoio e me incentivando a voltar. Estou aqui e vamos ver no que vai dar.

Brigadão, galera!

 

 

Roy Botterell / Corbis

Caros amigos,

 

Meu blog é um espaço que utilizo para devanear. Escrever coisas que eu acho interessantes acerca de tudo. Às vezes meto o bedelho na política, na religião, na cultura... Outras vezes eu apenas escrevo o que me dá na telha, coisas minhas, escritos meus como poemas, textos. Nada com intenções literárias. Somente elucubrações da minha alma...

 

Assim é o meu blog. E como um blog, há o espaço para comentários. Não que seja obrigatório a todos que vêm me visitar comentarem. Pelo contrário, comenta quem quer. Mas é prazeroso ler o que as pessoas pensam a respeito do texto ou até da minha pessoa. Dessa forma acabei por conhecer várias pessoas legais com as quais eu mantenho contato visitando os seus blogs ou por e-mail. É a amizade virtual que ganha espaço nesse tempo hodierno. Ela diminui distâncias, aproximando os indivíduos.

 

Nesse contexto, a tal da amizade virtual nos causa uma cegueira parcial em relação àqueles que conhecemos na net, pois não temos como avaliar quem é a pessoa que está do outro lado escrevendo para gente. Pode ser qualquer um, do bem ou do mal. Não temos como avaliar e assim, na ingenuidade abrimos espaço para que esse qualquer um tome parte da nossa vida através do que escrevemos no blog.

 

Pois bem, de hoje em diante, vou ler previamente os comentários escritos aqui no blog. Vou analisar o conteúdo. Se ele se coadunar com o objetivo do blog, eu libero a publicação. Caso contrário, eu reprovo.

 

Não pensem que estou censurando o que as pessoas têm a dizer. Logo eu tão a favor do livre pensamento, mas tenho recebido uns comentários que vão de encontro a proposta deste blog. Enquanto o papo era sadio, não vi problema em publicar os comentários. Porém a coisa se descambou para uma linha mais pejorativa. Resolvi tomar, então, esta providência. De agora em diante, estenderei o meu divã para aqueles que eu realmente conheço.

 

Sinto muito!

 

Os meus verdadeiros amigos sabem a forma que costumo me dirigir a eles. Tenho certeza que irão entender esta medida.

 

No mais, estou um pouco triste devido a esse desfecho. Mas o grande mar virtual tem dessas coisas.

 

Grande abraço a todos.

 

 

 

*

Somos dotados de inteligência, capazes de interferir no mundo com o intuito de melhorar a convivência, criando condições que visem o bem estar social e no entanto, agimos instintivamente, criando situações que descambam na indiferença com o próximo. Impera-se o “eu”, inserido na conjuntura de superficialidade do mundo hodierno.

 

Então, como disse Martin Luther King, aprendemos a voar como pássaros, a nadar como peixes, mas não aprendemos a conviver como irmãos.

 

Mas, nunca é tarde para aprendermos. A Páscoa simboliza o renascimento, a renovação, portanto, época propícia para refletirmos as nossas atitudes, enquanto seres humanos, época de renovar o nosso sentimento de fraternidade.

 

Feliz Páscoa a todos. Muita paz!

* http://estreladosul.blogs.sapo.pt/41736.html?thread=661512

 

 Tom Stewart

Ele é meu dono

 

Eu sou um pássaro

Vivo na minha linda gaiola dourada

 

Eu tenho um dono

Ele cuida de mim

Tenho comida, atenção e segurança

 

Eu queria ser livre

Voar em busca do novo

Cantar minhas descobertas

Não me preocupar em fingir felicidade

 

Às vezes canto algo novo

Diferente do habitual

Mas meu dono não gosta

Prefere as velhas canções

 

Fico intimidado, receoso de mudar, de crescer

Tranco-me como uma concha

Fecho-me no meu ser

Calo a minha voz e tento cumprir o meu papel

Afinal, ele é meu dono

Ele cuida de mim...

 

Por Daise

 

Rick Gayle / Corbis

Do coração de uma mulher

 
A bem da verdade, não sou essa mulher fatal que você pensa que eu sou. Aquelas histórias de sedução foram todas inventadas e esse ar superior, de quem sabe lidar com a vida, é apenas autodefesa.

Aquelas frases filosóficas, foram só pra te impressionar, pra te passar essa ilusão de intelectual... na verdade eu ainda nem sei se acredito nos valores que me ensinaram, quanto mais em frases feitas e opiniões formadas!

Senta aí, vai! Deixa eu tirar os sapatos, desmanchar o penteado, retirar a maquiagem... quero te mostrar que assim de perto não sou tão bonita quanto pareço, por isso uso todos esses artifícios. É que no fundo tenho um medo terrível de que você me ache feia, de que você encontre em mim uma série de imperfeições.

Sabe, não quero mais usar essa máscara de mulher inatingível, de mulher forte com punhos de aço... No íntimo me sinto uma pequena ave indefesa, leve demais para enfrentar o vento, e, deseja ficar no aconchego do ninho e ser mimada até adormecer.

Olha pra mim, às vezes minha intimidade não tem brilho algum e você terá que me amar muito para suportar essa minha impotência.

Deixa eu tirar o casaco, tirar o cansaço... essa jornada dupla me deixa tão carente... A convicção de independência afetiva? É tudo balela! Eu queria mesmo era dividir a cama, a mesa, o banho... Queria dividir os sentimentos, os sonhos, as ilusões... um pedaço de torta, uma xícara de café, algum segredo...

Ah, eu tenho andado por aí, tenho sido tantas mulheres que não sou! Quantas vezes me inventei e até me convenci da minha identidade. Administrei minha liberdade. Tomei aviões, tomei whisky... troquei a lâmpada, abri sozinha o zíper do vestido... decidi o meu destino com tanta segurança! Mas não previ que na linha da minha vida estivesse demarcada uma paixão inesperada.

Agora, cá estou eu, trinta e poucos anos e toda atrapalhada, tentando um cruzar de pernas diferente, um olhar mais grave, um molhar de lábios sensual... mas não sei direito o que fazer para agradar.

Confesso que isso me cansa um pouco. Queria mesmo era falar de todos os meus medos, "dos seus medos?" você diria, como se eu nunca tivesse temido nada. Queria te falar das minhas marcas de infância, dos animais que tive, do meu primeiro dia de aula... queria falar dessas coisas mais elementares, e te levar na casa da minha mãe, te mostrar meu álbum de retrato (eu, me equilibrando nos primeiros passos), ah, queria te mostrar minha primeira bicicleta, com truques. Ela ainda existe! Queria te mostrar as árvores que eu plantei (como elas cresceram!) e todas essas coisas que são tão importantes pra mim e tão insignificantes aos outros.

Ah, você queria falar alguma coisa? Está bem! Antes, só mais uma coisinha: estou morrendo de medo que você saia desta cena antes de mim, que você saia à francesa desta história, e eu tenha que recolocar minha máscara e me reinventar, outra vez.

Lucilene Machado

______________________________________

Em tempos de Dia da Mulher, este texto é bem interessante em mostrar a nossa fragilidade... Mas para que mesmo ter um dia só destinado à mulher? Machismo? Porque ainda somos tão diferenciadas no mercado de trabalho (a comemoração do Dia Internacional da Mulher começou para relembrar a grande greve feita pelas mulheres reivindicando melhores condições de trabalho e a maioria foi trancada na fábrica, a qual foi incendiada) que nos concedem um dia para aplacar essa desigualdade em relação aos homens?

Acredito eu que

TODO dia é dia da mulher, pois, por mais que tenham ocorrido mudanças (ínfimas), é ela que labuta em casa e fora de casa, cumprindo várias jornadas diárias, cuidando da família, do trabalho e dela própria. A mulher é uma heroína, pena que muitos não reconhecem esse desempenho que só ela é capaz de ter.

Vamos a luta, mas sem perder a ternura!

Daise

Contos

Jorge Casais / 1000 Imagens

COISAS DE NATASHA

 

III

 

Quem é essa mulher inexplicavelmente feliz a me encarar? Com um sorriso bobo no rosto e a mente borboletando sensações de prazer saciado?

 

Cadê aquela incrédula criatura que atuava no palco da vida, existindo apenas, sem viver? Só pode ser um sonho, Natasha! Esta, definitivamente, não é você!

 

 

- O que é que tanto você olha para esse espelho, ruivinha? – Sobressaltei com a voz do Pedro. – Até parece que está batendo altos papos com a sua imagem... – Ele deu aquele sorriso torto que tanto gosto, aproximando-se de mim e me abraçando por trás.

 

- O que você vê em mim, Pê? Sinceramente!

 

- Agora? Uma linda ruiva nua com uma baita interrogação na testa! O que se passa nessa sua cabeça doidivanas? – Ele beijou a minha nuca enquanto acariciava o meu corpo.

 

- Fala sério, Pedro! Olha só, eu preciso entender o porquê de você estar comigo. – Nossa, ele me deixa sem fôlego!

 

- Só você mesmo para pensar nisso agora. Quer saber mesmo? – Eu balancei a minha cabeça. – Você me intimida. – Ele respondeu com um suspiro. – Essa sua independência, essa sua garra em viver, seu humor. Às vezes fico sem ação ao seu lado. Eu fico perdido. E olhe que não sou homem de se sentir perdido... eu sempre sei o que eu quero.

 

Fiquei surpresa com a declaração, pois sinceramente não me via dessa forma. Gostei! Ele continuou:

 

- Sem falar nessa ruividade toda que me deixa louco! – Ele parou, me virou para ele e muito sério falou – Pensei que você fosse uma falsa ruiva quando te vi pela primeira vez. Você me enfeitiçou!

 

Eu ri, encostando a minha cabeça no peito dele. Com o queixo apoiado na minha cabeça, ele falou sorrindo:

 

- Mas de falso, você não tem nada!

 

- E como você sabe? Posso muito bem pintar o meu cabelo.

 

- Não mesmo, gatinha, todos os seus pelos são vermelhos! TODOS mesmos!!! – Gargalhou e me pegou nos braços e me levou de volta para cama.

 

Deus, esse cara me deixa insana! Se isso acontecesse há uns cinco anos atrás, eu seria considerada uma pedófila!!! Ele teria apenas 16! E eu já seria uma balzaquiana!

 

Ah, Natasha, desencana, mulher! Aproveita o seu momento Madonna e acorda para vida! Nem pense nos catorze anos de diferença.

 

Vou ficar com aquele sorriso bobo de novo... Eitcha coisa boa!!!

 

Daise

 

 

 

 

Essa vida de subterfúgios acaba comigo.

Às vezes fico imaginando quem eu sou de fato...

Já me perdi em meus disfarces... Quero me encontrar...

Aliás... quer saber? Eu gosto da emoção! hahahahaha

Tanya Constantine / Corbis

______________________________________________________

Estou tão sem tempo... E quem sofre é o meu blog...

Recadinho para quem escreve para o meu e-mail me perguntando sobre a Natasha... Ela deve voltar em alguma hora. Deve estar desesperada com a aproximação do niver de 35 anos... risos Esse negócio de idade mexeu com a cabeça dela. Pirou na batatinha! Sobrando tempo, vou conversar com ela e conto tudinho procês...

Agora, deixa eu ir, pois o tempo urge!!!!

Grande beijo, amigos.

Daise

Contos

COISAS DE NATASHA...

 II

 

E aqui estou eu de novo em mais um ano letivo. Observei a minha sala de aula e encarei cada um dos meus alunos da quarta série.

Quem olha para essas trinta carinhas tão compenetradas imaginaria trinta anjinhos. Quem será o Gabriel? Este eu já fui avisada para me resguardar porque só o nome é de anjo... Sorri, tentando encontrar o "anjinho" em particular. Hum... seria aquele de óculos? Não, pois já se observa que é um capetinha... Os óculos têm um remendo na perna... Aquele gordinho? Não, ele já está olhando para a lancheira com um olhar guloso... Dei uma risadinha mental, seja lá o que for isso...

No minutinho que levei para chegar a essas conclusões, todos me aguardavam com rostos ansiosos, menos o garotinho lindo sentado lá no fundo sorrindo tranquilamente para mim... Ah, só poderia ser o meu "anjinho". Meu radar o detectou... Bem, Natasha, seja criativa na apresentação. Ganhe logo de cara a confiança desses seres de outro planeta!  

- Bom dia, crianças! - Dei o meu melhor sorriso. - Animados para mais um ano de aventura? 

- Aventura, "fessora"? Uma garotinha me perguntou - Pensei que a gente fosse estudar... 

- Oh, estudar para mim sempre foi uma aventura. Eu me vejo como uma desbravadora, conhecendo novos mares, novas terras... Cada livro que eu leio, aprendo coisas novas... 

- Pra mim você parece mais uma bruxa, com esse cabelão vermelho, saindo do próprio inferno!!! - Falou o capetinha lindo com ares de sabichão, se mostrando para a turma toda, a qual ria de mim. 

O lindinho lá do fundo só podia ser o Gabriel, testando-me desde já. 

- Que cabeça a minha! Esqueci de me apresentar! É isso que dá esquecer dos bons modos. Podemos ser confundidos com qualquer um. Até mesmo uma bruxa descabelada vindo das profundezas do inferno, não é mesmo crianças? - Rebati com um sorriso angelical no rosto. A turma riu e voltou os rostinhos para mim. - Bem, eu me chamo Natasha, sou a professora de vocês. Gosto de ler, caminhar na praia, ir ao cinema e tomar muito sorvete de chocolate! A-D-O-R-O chocolate! Mas, por favor, nada de trazerem chocolate para mim, pois estou tentando entrar em forma! Agora cada um de vocês vão se apresentar também, ok? Começaremos pelo fundão. Os últimos serão os primeiros. Anotem aí, este será o meu lema de hoje. Adoro lemas diários.

Bingo! E não é que o lindinho era mesmo o Gabriel? Meu instinto estava certo! Cuidado com ele Natasha! Mas depois que eu quebrei o gelo, a aula correu tranquilamente e até o Gabriel estava amansadinho. 

Sai da sala para o recreio com a cabeça nas nuvens, como de costume, sem me dar conta do que ocorria ao meu redor... Já disse que sou tremendamente avoada? Quando dei por mim, já era tarde. A muralha me trouxe a realidade. Que que é isso, meu Deus! Olhei para cima e mergulhei num azul piscina, que dragou a minha respiração, deixando-me tonta, com o coração na boca e pernas de gelatina! 

Jesus, Maria José! Quem é esse Deus grego? Esse Adônis mitológico perdido nessa escolinha, segurando-me para eu não cair, com o sorriso mais deslumbrante da face da terra??? 

O homem, não, homem é pouco, o macho mas perfeito de Terra estava me abraçando, despejando testosterona por todos os poros. Preciso cheirá-lo. Bem discretamente eu tenho que cheirar o cangote dele. Vou fazer de conta que estou desequilibrada e vou me segurar no pescoço dele... Dito e feito, ou pensado e executado! Que perfume!!!! Deus do céu, o que está havendo comigo? Que descontrole hormonal é esse? É a TPM. Oh, é a crise dos trinta e cinco!

- Tudo bem, moça? - O deus grego me perguntou com a voz rouca e uma ruga naquela testa perfeita. 

- Oh! - Acredita que foi a única coisa que essa desmiolada falou? As palavras não saiam da minha boca e eu só conseguia encará-lo, meio embasbacadamente, com os olhos esbugalhados, como se a Medusa tivesse me transformado em pedra. Natasha, Natasha, responda alguma coisa! 

- Nossa! Você é o "Pensador"de Rodin, ressuscitado do mundo das esculturas! - Jesus do céu! Tanta coisa para eu dizer e eu falei logo isso??? 

Ele apenas riu para mim, me colocou em pé, pois eu estava literalmente jogada nos braços dele, ajeitou o meu cabelo, colocando uma mecha atrás da minha orelha e  direcionando para mim aquela imensidão anil que eram os seus olhos, disse: 

- E você é a minha imagem de uma Valquíria vingadora! 

- Oh! - voltei aos monossílabos. 

- Bem, eu realmente tenho que ir! - Falou a criatura. - Ah, nada de bronze (numa alusão à escultura de Rodin). Só carne mesmo! Vejo você por aí! E se afastou, meio de costas, meio correndo, sorrindo para mim. 

Como entrou em minha vida, o Deus grego saiu: num piscar de olhos! 

Gente, o que foi isso? Eu, uma Valquíria? Rapidamente busquei na minha memória a definição de Valquírias... Não seriam dinvidades nórdicas, meio Barbie-girl? Oh, de Barbie-girl eu não tenho nada. De bruxa descabelada vindo das profundezas do inferno para uma Valquíria vingadora, são dois extremos diametralmente opostos. Gostei da Valquíria vingadora. Suspirei! 

Saia vermelha de borracha... Salto quinze...

Saia vermelha de borracha... Salto quinze...

Saia vermelha de borracha... Salto quinze... Por que não?

Pronto, vou levar o "pensador" para o meu mundo da lua. Será que ele gosta de queijo? Me peguei rindo mentalmente de novo! Deixa eu comer alguma coisa antes que o recreio acabe! 

E lá fui eu para a sala dos professores. Podia apostar que o meu andar tinha um leve requebrar... Me sentia poderosa! Aliás, a Valquíria dele! Gargalhei na mente e segui em frente! A vida é uma caixinha de surpresas.

By Daise

 ___________________________________________________

Obs.: Aviso aos navegantes que a atualização do meu blog é semanal. Gostaria de ter mais tempo para ser diariamente, mas tenho que contentar com os finais de semana! Grande abraço a todos.

Contos

 

 

Joerq Steffens / Corbis

 

COISAS DE NATASHA...

 I

Meu nome é Natasha. Nome exótico para uma pessoa tão sem graça como eu. Acho que a minha mãe tinha grandes expectativas quanto a mim. Natasha lembra espiãs russas, lindíssimas, vivendo uma vida de aventura, senhoras de si mesmas.

Que decepção! Cá estou eu, uma solteirona, sem glamour algum e a única aventura que enfrento é o desafio de encarar quarenta alunos da quarta série do ensino fundamental todo dia, durante o período escolar. Nossa Senhora! Só de pensar que mais um ano está para começar já começo a suar frio! Ter que representar... Eu deveria ter feito teatro, ter sido artista. Pelo menos ganharia para fazer aquilo que sei fazer de melhor: representar. A minha vida é um palco. Finjo ser quem não sou.

E quem sou eu mesmo???

Meu Deus, deve ser a proximidade do meu aniversário que está me deixando tão pensativa... ou a TPM! Nem quero pensar nisso!

Por que mesmo eu pensei no meu nome? Ah, a música do Capital Inicial na rádio. Nunca tinha ouvido...

"Tem dezessete anos e fugiu de casa
Às sete horas na manhã no dia errado
Levou na bolsa umas mentiras pra contar
Deixou pra trás os pais e o namorado

Um passo sem pensar
Um outro dia, um outro lugar

Pelo caminho, garrafas e cigarros
Sem amanhã, por diversão, roubava carros
Era Ana Paula, agora é Natasha
Usa salto quinze e saia de borracha [...]"

 

Nunca arrisquei. Nunca usei salto quinze e saia de borracha, nem pensar! Sempre fui certinha. E aqui estou eu, escutando uma música que me fez repensar a minha vida, aliás a peça que é a minha vida. O meu fingimento.

Droga, nunca tinha parado para analisar a minha medíocre existência. E agora, uma mera música na FM me fez ficar com essa cara de tacho, sentada no meu velho e patético sofá olhando para o nada através da janela do meu apartamento...

Trinta e cinco anos. Vou fazer trinta e cinco anos e o que eu fiz da minha vida? Sou feliz? NÃO! Jesus, só agora percebo o quão infeliz eu sou! Não tenho ninguém! Nem amigos, nem namorado, nem família. Só colegas de trabalho. Quando foi que me isolei da minha vida? Quando foi que me perdi para mim mesma? Quando foi que parei de viver e passei a apenas existir?

Oh, e essa música martelando na minha cabeça?!

Largar tudo? Recomeçar? Não tenho essa coragem toda...

Olha, Natasha, você não tem tempo para essas elucubrações. - Uma vozinha me alertou dentro da minha cabeça.

Levantei e tratei de me preparar para mais um ano de aula. Tomar um banho, trocar de roupa, colocar um sorriso na cara e começar tudo de novo. Então é assim que pensa o relógio... Tudo na mesma rotina... Coisa estranha pensar em relógio agora. Tô maluca mesmo. Sempre fui e agora tenho consciência disso!

Me peguei sorrindo para o espelho enquanto dava um trato na minha cabeleira meio avermelhada que caia pelas minhas costas. Taí uma coisa que sempre adorei em mim. O meu cabelo. Ele me faz sentir que ainda existe vida em mim. Oh, ainda resta uma salvação para a minha pessoa! Ri novamente de mim mesma. No palco da minha vida, eu sou uma personagem que não passa despercebida com essa cabeleira toda... Gargalhei sozinha no meu pequeno apartamento. Peguei a bolsa, alguns livros e sai para mais um ato!

 

By Daise

 

 

 

João Parassu / 1000 Imagens

 

Caros amigos,

Vou dar um tempinho no blog para terminar a minha monografia de conclusão da minha pós-graduação.

Assim, que tudo estiver ajeitadinho, eu volto!

Grande abraço,

Daise

 

                                                           Itacaré / Bahia

 

Olá caros amigos,

 

Cheguei de Ilhéus um pouco mais descansada, comi chocolate, cacau, acarajé, abará, fui à Itacaré... Foi bom demais! Mas já voltei à correria de novo.

Em meio ao caos econômico que assola o país e o mundo sigo eu com a minha vidinha...

Passei por aqui só para dizer que tudo segue como dantes no castelo de Abrantes.

Tenham todos um ótimo final de semana!

Beijão

 

 

Viagem

Meus amigos,

 

Desde o último post, não parei quieta!

Graças a Deus o meu trabalho está ganhando impulso e tenho muito o que fazer!

Vida de advogada é assim, até a coisa engranar de vez, a labuta é grande, pois o que cair na rede, é peixe!!! Sinto-me como se fosse um Bombril, 1001 utilidades! Risos

Chego em casa cansada, mas aindo tenho que me desdobrar, pois tenho que averiguar os deveres escolares da filhota e cuidar do maridão. Aliás, ele exige a minha atenção... risos Tem um ciúme do meu trabalho... ai ai ai... Por que homem é tão inseguro, hein? Alguém pode responder? Risos

Mas é isso, vida de mulher é assim, assumimos tantos papéis, que às vezes esquecemos de nós mesmas... Por isso tirei o final de semana para me curtir um pouquinho. Vou viajar e espairecer numa cidade linda do interior da Bahia, ILHÉUS! (Terra da Gabriela de Jorge Amado e do cacau).

Vou deixar umas imagens de lá para vocês ficarem com vontade de ir também!

Vou tomar um sol e tirar as traças do corpo!!! Hahahaha

Próxima semana eu conto como foi, ok?

Tenham um ótimo final de semana!

Grande beijo a todos.

 

Daise

 

[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
Meu Perfil
BRASIL , Nordeste , SALVADOR , PITUBA , Mulher , de 26 a 35 anos , Portuguese , English , Livros , Arte e cultura , Viver a vida

 
Visitante número: